Laura Dorneles do Amaral

Convívios Instalação — vasos de barro, pote de vidro, gravuras em metal e objetos Medidas variáveis 2023

Convívios – instalação multimídia de Laura Dorneles (artista que nasceu e reside no DF) que se  adapta ao espaço de exposição durante a montagem, reunindo os seguintes objetos: num cubo,  um pote quebrado de cerâmica1, pintado pelo fogo, com um desenho de tigre e um de piranha  gravados na pele do barro, queimado na fogueira durante 12h da residência, num dia de 45ºC;  expostos na estante do Museu de Arte de Britânia (MABRI), testes de impressão de gravura em  metal2, uma delas feita a partir de uma foto tirada no bar do Cabecinha, e a outra uma estampa feita a partir de um símbolo “impresso” no concreto da ponte do Rio Araguaia, entre Goiás  e Mato Grosso; um vídeo da artista vestindo um body com estampa de onça, engatinhando em  cima das telhas das ruínas de um hotel da cidade; atrás, um painel pintado na parede, um tigre,  uma mulher e uma onça, com projeção mapeada3 em um vaso de cerâmica queimado na fogueira, pintado pelo fogo (o vídeo da projeção foi exibido somente na abertura da exposição);  um vaso de cerâmica quebrado, queimado na fogueira, pintado pela fuligem, com pedras do  Lago dos Tigres cravadas na pele do barro; dois potinhos de cerâmica, queimados na fogueira,  onde se lê: arthur + dridri + laura ❤️; um potinho de cerâmica queimado na fogueira com o  desenho de uma piranha; um pote de zinco com argila, usado para fazer as peças de cerâmica; no alto da estante, uma vela de cera de abelha e carnaúba feita para a instalação; na escada  de vergalhão do MABRI, seis tábuas de madeira de demolição de uma casa antiga da cidade,  uma delas, usada para queimar as peças de barro, tendo, em cima, cacos de um frasco de vidro  com coletas de objetos da natureza da cidade, como penas, pedras e sementes. 

A artista adaptou suas investigações em arte ao contexto da cidade de Britânia, levantando  questionamentos sobre a memória local, sobre o barro coletado no Lago dos Tigrinhos, sobre as  simbologias dos lugares, o tigre, a piranha e a onça na cidade. A obra foi construída com técnicas alquímicas e magias das tecnologias ancestrais, como cerâmica e gravura, e tecnologias  modernas, como vídeo e projeção. A obra é resultado da investigação da memória da cidade  a partir da relação com pessoas e com objetos e vestígios encontrados, na convivência com os  demais artistas da residência Volante. 

 1 Técnica “pré-histórica” que transforma barro em cerâmica mediante queima de, no míni mo, 600ºC. 

2 Conhecida na Renascença, é uma técnica de impressão que consiste em gravação em ma triz de metal e impressão de cópias dessa gravação em folhas de papel. 

3 Técnica de projetar uma imagem sobre uma área mapeada, sem que a imagem “vaze” para  o fundo, por exemplo, projetar um vídeo de modo a que ele fique somente no vaso de barro.