Trata-se de uma série de fotografias manipuladas digitalmente, misturando imagens da Grã -Bretanha e de Britânia, em Goiás. Com algumas exceções*, as imagens utilizadas nesse trabalho fazem parte de um grande arquivo de fotos de viagens feitas a partir de 2008, ano em que iniciei o doutorado e quando os rastros de minhas andanças pelo mundo viraram material artístico.
As temáticas das minhas fotos de viagem tendem a se repetir – águas, árvores, flores, troncos, fachadas, ruas, bueiros e nuvens –, mas isso não exclui que novas temáticas capturem minha imaginação, como na residência em Britânia em que paisagens rurais e monumentos, por exemplo, passaram a integrar minha coleção.
Usando a ideia de conhecimento enciclopédico, escolhi a Enciclopédia Britânica como guia conceitual e de estilo e criei uma série de verbetes ilustrados hibridizando elementos da cultura britânica e da cultura goiana: planta, água, tecnologia, árvore, alimento, turismo, arquitetura e fauna. Tendo vivido na Inglaterra por mais de dez anos, desde o início da residência, alimentei a ideia de colocar lado a lado as duas “Britannias”. Movida inicialmente pelas semelhanças e diferenças, a ideia acabou tomando a forma de um pequeno ensaio autobiográfico. Numa conjunção (im)possível de mundos, a imagem de uma árvore da vila de Warlingham, onde mora minha sogra, aparece então superposta a uma linda palmeira da praça de Aruanã, e a cerca de uma propriedade rural ao redor de Londres se metamorfoseia na cerquinha de beira da estrada a caminho da balsa de Britânia… Viva a imaginação!
*As seguintes imagens foram baixadas da internet: o tigre, a onça, a piranha, o badger e a quincey.