Biophillick questiona ser um estranho, um estrangeiro em uma terra distante, com outra lin guagem e outros códigos, sendo o ato de misturar-se uma ação para ser aceito e incorporado pelo outro, como uma forma de pertinência. Talvez uma pele-casa-portátil seja um dispositivo para refletir sobre todas essas questões. Uma roupagem-pele que traz simbologias arquetípicas sobre a humanidade primogênita originária nas profundezas do lago, uma roupa que evoca a natureza aquática, fluida e dinâmica dos peixes, das águas. Uma casa maleável, exemplo de instabilidade, que se balança com o vento se resume a uma cobertura um tanto protetora e um tanto hostil, que coleciona instantes fotográficos de espaços, pessoas, códigos e memórias.
Sua obra é constituída por três meios: uma composição pictórica, uma vestimenta e duas esculturas de argila dos povos originários Carajá. O artista representa o Lago dos Tigres e sua fauna mítica por meio de uma roupagem, refletindo sobre questões de territorialidade/ances tralidade, deslocamentos/ alteridades, hospitalidades/hostilidades. A roupa apresenta-se como segunda pele do corpo humano, com a função de ser o espaço físico capaz de hospedar códigos e símbolos culturais. O lago e sua fauna, um território de natureza ancestral que se expande por meio de códigos na vestimenta. Biophillick adota uma condição portátil para levar suas memó rias afetivas a um novo lar.