Essa instalação artística foi montada com restos, coisas e seres coletados durante a residência, em andanças com observação silenciosa do lugar. Dois barcos e o Cristo foram feitos por Zé Trindade. Há um trecho reto nesse Rio Vermelho que representa o desvio feito pelo homem branco que mata o rio.
“Sem curva não há vida”, por ser um desvio reto e ter tido retirados os paus d’água para os jet skis terem território. Consequentemente, a vida não se reproduz nesse trecho, o que trará graves consequências para o meio ambiente, em breve. As frases são ironias em todo o trabalho, procuram provocar o morador e o espectador.
Da Escama do Olho foi retirado de uma conversa com Zé Trindade. O Desvio do Vermelho homenageia a obra ‘Desvio para o Vermelho’, de Cildo Meireles, grande artista nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1948. Ele passou a sua infância e adolescência entre Goiânia, Belém do Pará e Brasília. Essa cadeira em miniatura virada remete à enorme estrutura de concreto que sustenta o Cristo Redentor do Lago dos Tigres.
Eu a derrubo, acho-a agressiva na paisagem. Me lembra, também, a cadeira usada pelos domadores de leões – os felinos estão na história de Britânia de modo curioso: um leão com a deusa romana Britânia. Os tigres dão nome à lagoa porque homens brancos escutaram a onça quando chegaram ali e não conheciam esse animal. Há uma frase no trabalho que diz: “O leão está para o tigre, o tigre está para a onça”. O lago deveria ser das onças. O Brasil precisa se repensar como Brasil. Britânia tem a natureza deslumbrante e exuberante do Cerrado, que é um bravo resistente ameaçado. Tiremos as escamas dos nossos olhos.