Meu nome é Arthur Scovino, nasci em 1980, no Rio, mas já morei em vários lugares, como Bahia e São Paulo. Sou artista plástico e meus trabalhos são inspirados na relação com as pessoas, com a natureza e com as cidades. Minha proposta inicial era conhecer Britânia para realizar um trabalho novo, inspirado nas histórias que surgissem. O projeto Aperreável, que faço instalando carvão e penas rosas, é onde, normalmente, tudo começa.
Conheço muitas cidades pequenas no Brasil e sei que as pessoas gostam de contar causos. Em Britânia, não foi diferente: no comércio, em bares e escolas, na beira do lago, sempre uma prosa vem, naturalmente, com muitas histórias. Mas, antes de mais nada, também sou um contador de causos. Desse jeito, venho mostrando meu trabalho, que traduz essas experiências da vida na arte.
Foi num primeiro passeio pelo Lago dos Tigres com os outros artistas da residência que eu vi o boto, mas eles não viram. Virei o contador de causos no meu próprio grupo. Só o pescador acreditou em mim. Tentei por alguns dias fazer umas fotos com o boto para mostrar a eles. Até que, em outro passeio coletivo, fiz uma dança no lago para chamar o boto e ele veio. Dessa vez, todos o viram atrás de mim no caiaque. Fizemos umas fotos desse momento (nem todas são exatamente como aconteceu, mas artista contador de causos tem licença para dar uma incrementada nas criações).
Por fim, meu trabalho realizado na Residência Volante, em Britânia, foi uma gravura em linóleo com carimbo, que fiz com a ajuda da artista Cintia Falkenbach. O desenho onde apareço com o boto é a continuação de uma série de autorretratos com animais mágicos que aparecem pra mim em lugares importantes em que estive e que espero poder voltar logo.